Aula de Português

por André

O poema era Aula de Português, de Carlos Drummond de Andrade, e após a leitura do texto, perguntei ansioso aos meus alunos se eles haviam gostado. As respostas foram quase unânimes: o poema era chato, ruim e difícil de compreender. Pacientemente, expliquei que a beleza ou a qualidade de uma obra de arte não depende necessariamente do nosso gosto pessoal e que muitas vezes não gostávamos das coisas simplesmente por não compreendê-las. Foi então que comecei a analisá-lo estrofe por estrofe, verso por verso, palavra por palavra. Após exaustivas explicações e acompanhar o olhar surpreso de alguns ao desnudar o texto, mostro que o poema nem era tão difícil assim. Eles concordam, mas um aluno, do alto da sua sinceridade, solta do fundo da sala:

– Professor, mas ele continua chato.

O Português, como disse Drummond, são dois; o dos meus alunos por muitas vezes é mistério.

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