Arquivo da categoria ‘Segunda-feira’

Até Breve

Já sinto a dor do parto, mas tenho que partir. Partir desta pra melhor. Não farei um discurso de despedida, porque não faz o menor sentido isso. Todavia, achei de bom grado me despedir de todos aqueles ociosos que leram meus rascunhos do que a ciência chama de uma escrita neo-faço-o-que-eu-quero…

Foi legal…e um dia o Luiz me convidará novamente pra eu voltar a escrever aqui. hahaha…

Beijos e Abraços

Leilão da virgindade

Após um período curto de férias (inclusive aqui do blog, que aproveitei para postar algumas músicas antigas que eu tinha escrito na época em que achava tolamente que pegava mulher se escrevesse para elas) volto à atividade para comentar de uma situação bastante inusitada, mas que ultimamente já está se tornando rotineira em nossos noticiários. Da última vez que vi, se tratava de uma equatoriana de 28 anos que estava leiloando sua virgindade para pagar o tratamento de saúda da mãe. Há qualquer coisa de errado nisso., senão vejamos: um tratamento de saúde é caro, assim como os estudos na faculdade (caso de uma americana de 23 anos que leiloou sua virgindade nos EUA), assim como qualquer outra justificativa que leve alguma garota a leiloar sua virgindade. Contudo, é de se ponderar que uma virgem de 28 anos não deve ser uma beldade, nenhuma modelo internacional. Aliás, todas as proprietárias de hímens intocáveis que eu li, até então, eram uns grandes barros, e me instiga saber quem são os malucos que resolvem pagar uma baba para comer uma mulher deste nível. De repente, o Markinhos comeria. Há mais. Pode ser que o fulano que resolveu fazer esta caridade seja um altruísta, de espírito generoso e esteja visando apenas ao tratamento de saúde da mãe da pobre equatoriana. Só que se ele for tão bonzinho assim, ele pode simplesmente doar o dinheiro, sem precisar guerrear com o dragão. Resumo da ópera: é algo que eu não entendo. Uma horrorosa guardou sua virgindade até os 28 anos, ou 23 ou 25 ou qualquer idade parecida, para ter uma adversidade e logo leiloá-la por um preço absurdo, como se tivesse leiloando uma obra de Picasso. Bom, Picasso do cara que pagar a fortuna exigida pra encarar uma bosta dessas.

Um Passo à Frente (Sessão Música Parte 4 – e última)

Um Passo à Frente

Se a gente não se cuida G-C
Quem irá cuidar da gente? G-Am
Se os costumes não mudam G-C
Porque é que a gente mente? G-Am
A vida com a faca na mão F-E

Se a gente não se cuida

Quem irá cuidar da gente?

Se os costumes não mudam

Porque é que a gente mente?

A vida com a faca na mão

Sem coração ela segue

Pedindo perdão estou entregue

Sem sonhos, cuidados e desejos,

Eu nem penso mais nos seus beijos

E mesmo sem ver, sem saber,

Eu te tenho à luz pra acender

Ao topo do mundo, na filosofia dos burros,

Quem te deu moral pra fugir?

Desfilas com pose elegante, modelo,

Morre tentando quebrar o gelo

Assim implacável, chora na escuridão,

Entregado ao amor de um qualquer

Às pressas você me corrompe sem medo

Mas nunca serei igual antes

O justo fim de dois fiéis amantes

Só me diga a desventura que foi viver

Sem rumo, sem motivos pra querer,

A cada fim, um espaço.

Viva a luz da apelação emocional

Salve a saúde mental do erro irracional

Num mísero passo.

Te Espero (Sessão Música Parte 3)

Te Espero

Esse é o começo de uma nova sensação
Talvez você não queira ter tamanha emoção
Se tranque no seu quarto se esconda no porão C#-G#-F#
É a hora que o rei não escapa do peão
Te espero em meia hora lá fora E-F#-C#
Pra gente resolver
Espero que você seja sincera
Da mesma forma que eu vou ser
Se você mentir pelo menos seja justa
Não queira ser feliz as minhas custas
E seja humilde pra reconhecer F#-B-A-G#-C#
Que nossas brigas faziam bem pra você
Se hoje parto sem certeza de voltar
É porque farto já estou de te amar C#-G#-F#
O mundo me apresenta coisas novas
Que são provas pra adiante te mostrar
Te espero em um segundo
Mas no fundo não torço por você
A sua partida só de ida
Me fez entender E-F#-C#
Que uma frase mal dita
É um grito de apuros
Cobrando as dívidas
Que o amor deixou com juros
A máquina de fazer silêncio quebrou nosso pacto
Causando impacto F#-B-F#-(A-G#)-C#
Ficando a mágoa
Brotando do cacto sem água
Brotando do amor essa mágoa C#-G#-F#
Brotando do cacto sem água
Brotando do amor essa mágoa
Brotando do cacto sem água

Esse é o começo de uma nova sensação

Talvez você não queira ter tamanha emoção

Se tranque no seu quarto se esconda no porão

É a hora que o rei não escapa do peão

Te espero em meia hora lá fora

Pra gente resolver

Espero que você seja sincera

Da mesma forma que eu vou ser

Se você mentir pelo menos seja justa

Não queira ser feliz a minha custa

E seja humilde pra reconhecer

Que nossas brigas faziam bem pra você

Se hoje parto sem certeza de voltar

É porque farto já estou de te amar

O mundo me apresenta coisas novas

Que são provas pra adiante te mostrar

Te espero em um segundo

Mas no fundo não torço por você

A sua partida só de ida

Me fez entender

Que uma frase mal dita

É um grito de apuros

Cobrando as dívidas

Que o amor deixou com juros

A máquina de fazer silêncio quebrou nosso pacto

Causando impacto

Ficando a mágoa

Brotando do cacto sem água

Brotando do amor essa mágoa

Brotando do cacto sem água

Brotando do amor essa mágoa

Brotando do cacto sem água

Que seja pra sempre (Sessão Música Parte 2)

Houve um tempo em que eu era muito feliz e namorava uma garota chamada Manuela. Naquela época fiz esta música, que me rendeu bons frutos.

Que seja pra sempre
Essa noite eu sonhei com você
Pensei em tantas coisas
Tentei te agradar
Mas eu percebi que não saí do lugar
Eu espero que seja o melhor
Que nós sejamos felizes
Faremos disso um fato
Que isso não seja mais um drama barato
Pra te encontrar e te contar
O quanto foi difícil achar
Alguém que enfim pudesse amar
E desculpar meus erros que são seus também
Ria como no primeiro dia
Me mostre toda sua alegria
Ao ver que eu sou quem você queria
Faça da minha vida uma avenida pro céu
Me acompanhe nessa minha vida
Essa fase de artista
Se não for pra sempre dessa vez
Talvez eu desista
Mas te carregarei comigo
Como a melhor das lembranças
O nosso canto ao telefone
O nosso amor de criança
Agora quando eu voltar a sonhar
Tentarei dizer o que sinto
De repente não ficar mudo
Já que pra essa prova eu não sei como eu estudo
Ora menina, só tem você por aqui,
Então deixe-me te ver sorrir
Me encare com seus olhos perfeitos
Diga que eu sou suspeito para falar deles
Agora sim estamos fortalecidos
Diante do seu poder
Discussões nos manterão unidos
Você sempre sabe o que deve fazer
Pode contar sempre comigo
Deixa eu te olhar enquanto anda
Decida a hora de partir
Aqui você é quem manda

Que seja pra sempre

Essa noite eu sonhei com você

Pensei em tantas coisas

Tentei te agradar

Mas eu percebi que não saí do lugar

Eu espero que seja o melhor

Que nós sejamos felizes

Faremos disso um fato

Que isso não seja mais um drama barato

Pra te encontrar e te contar

O quanto foi difícil achar

Alguém que enfim pudesse amar

E desculpar meus erros que são seus também

Ria como no primeiro dia

Me mostre toda sua alegria

Ao ver que eu sou quem você queria

Faça da minha vida uma avenida pro céu

Me acompanhe nessa minha vida

Essa fase de artista

Se não for pra sempre dessa vez

Talvez eu desista

Mas te carregarei comigo

Como a melhor das lembranças

O nosso canto ao telefone

O nosso amor de criança

Agora quando eu voltar a sonhar

Tentarei dizer o que sinto

De repente não ficar mudo

Já que pra essa prova eu não sei como eu estudo

Ora menina, só tem você por aqui,

Então deixe-me te ver sorrir

Me encare com seus olhos perfeitos

Diga que eu sou suspeito para falar deles

Agora sim estamos fortalecidos

Diante do seu poder

Discussões nos manterão unidos

Você sempre sabe o que deve fazer

Pode contar sempre comigo

Deixa eu te olhar enquanto anda

Decida a hora de partir

Aqui você é quem manda

Paralela (Sessão Música Parte 1)

Paralela

As palavras entaladas atravessadas na goela
A verdade já de tarde tão covarde se esfarela
Se ela soubesse o meu nome como eu sei o nome dela
Um presente que não se toca como retas paralelas
Paralela Paralela Paralela Para:Lela
Não houve um só momento
Em que meu pensamento, afastou-se de ti…
Não houve um só dia
Em que eu não queria te fazer sorrir
Não houve um só segundo
Em que o mundo não parou pra te aplaudir
E eu sou o cara mais feliz
Desde quando te conheci ->
Foi bom saber que não fui só eu
Quem sentiu saudades
Mas eu não sou seu irmão
Eu quero mais que a sua amizade
Eu devo estar ficando maluco
Com o passar da idade
Mas quero que saiba que te amo mais
Que minha própria liberdade
É por isso que minha vida é paralela a sua
E se encontrar é cair em contradição
Enquanto o homem pensa em tocar a lua
Eu só quero tocar seu coração
Para guardar dentro de mim
Sua imagem tão bela
Paralela Paralela Paralela Para:LelaHouve um

Houve um tempo em que eu era muito feliz e namorava uma garota chamada Letícia, que eu chamava de Lela. Naquela época fiz esta música, que me rendeu bons frutos.

Paralela

As palavras entaladas atravessadas na goela

A verdade já de tarde tão covarde se esfarela

Se ela soubesse o meu nome como eu sei o nome dela

Um presente que não se toca como retas paralelas

Paralela Paralela Paralela Para:Lela

Não houve um só momento

Em que meu pensamento, afastou-se de ti…

Não houve um só dia

Em que eu não queria te fazer sorrir

Não houve um só segundo

Em que o mundo não parou pra te aplaudir

E eu sou o cara mais feliz do mundo

Desde quando te conheci

Foi bom saber que não fui só eu

Quem sentiu saudades

Mas eu não sou seu irmão

Eu quero mais que a sua amizade

Eu devo estar ficando maluco

Com o passar da idade

Mas quero que saiba que te amo mais

Que minha própria liberdade

É por isso que minha vida é paralela a sua

E se encontrar é cair em contradição

É por essas e outras que não ouço meu coração

É por acaso que não tenho qualquer oposição

Ambição ou coisa assim

Mas é pra guardar dentro de mim

Sua imagem tão bela

Paralela Paralela Paralela Para:Lela

No ponto

Deixo preparado, no ponto. Esqueço que deixei coordenadamente maquinado. Tenho um objetivo, olhar fixo, sigo adiante. Mal sei o que me espera, mas está tudo pronto e diversos motivos me impedem de modificar. A ansiedade por vezes me devora, sou engolido pelo caos, mas não ouso ameaçar a precisão da ocasião pela qual me envolvi e me deixei ser levado em intervalos periódicos, de razões inexplicáveis, entretanto sempre com um sentido intrínseco que me fez, em algum momento, supor a perfeita intuição da certeza. É a precisão, acho que já falei. Me falta, todavia deixo no ponto. Sei que não acerto, mas continuo tentando. Parece uma fábula de contraditórios aleatórios matizado pelo erro crasso de estarmos sempre corrigindo o que já estava no ponto. Eu não me atrevo. Somente mudo de idéia, quando sei que estou migrando para o lado perfeito do raciocínio, do contrário fico no erro que imaginei primeiro. Como se tivesse uma quota implícita para acertar, duas e olhe lá. Tudo graças à pressão da necessidade de termos uma questão resolvida, ainda que sem o menor preparo para decidirmos acerca do que parece ser a correta decisão. E não é correto renegar esta pressão, afinal quem se contenta com uma série de erros alheios ou próprios? Até onde eu saiba, a exatidão é unidade de medida, moeda de troca, determinante de capacidade, dentre outras riquezas. Aonde eu estarei quando minha precisão disparar, eu não sei, mas, pelo sim pelo não, eu já deixei no ponto.

Amor para ninguém

Certos sentimentos nos pegam desprevinidos. É o que acontece com o que por esses dias tomou conta da minha cabeça. Sentimento bom. Não tenho dúvidas, é amor. Não há sentimento melhor que este, amor correspondido. Complexamente retribuído, e ascendente. Não há nada que eu possa comentar sobre este estado de espírito que alguém já não tenha dito anteriormente e com brilhantismo inenarrável. Pelo menos o Chico Buarque jamais deixou passar em branco a variação de humor perante uma situação tão peculiar. E aí pensariam, “está namorando”. Prevendo este indissociável falta de idiossincrasia, já se faz presente o manifesto do “NÃO”. Sonoro não. O amor nem sempre é por alguém, nem por algo concreto e definido. Em certos momentos da nossa passagem pela Terra, podemos notar que o amor pode ser por ninguém. Parece, de fato, uma loucura pensar que um sentimento majoritariamente retribuível possa ser exercido solitariamente. Mas pode. Vejam que incrível. Trata-se de uma paixão de tamanha grandeza, que pode ser para algo que não seja direcionável, nem mensurável, e muito menos explicável. Não há como entender, somente sentir. É o que eu sinto no momento. Sinto que amo, mas amo ninguém. De repente Freud me explicasse, se fosse meu amigo.

Língua solta

Não fazia nem idéia de como seria ruim saber daquele segredo. Infelizmente, não são todos os assuntos do mundo que você pode se comprometer a mantê-los em absoluto sigilo. O problema é que geralmente nos comprometemos a ficarmos de bico calado antes de saber do que se trata a fofoca, e daquela vez não foi diferente. Matheus não gostava de segredinhos, pois não aturava olhares enviesados para sua pessoa, caso vazassem informações. Pois é. José foi traído. Aquele amor de pessoa que era sua mulher, acima de qualquer suspeita Quem diria? Ficou sabendo por acaso, mesmo, até desconfiou de carocha na hora. Logo em seguida veio a intimidação: “Se falares, te mato”! Fulminante. Matheus tinha uma informação valiosa em seu poder, sem saber como me aproveitá-la, e o pior, se deixasse escapulir por descuido estava arruinada sua confiança entre a turma. O declarante foi convicto no que dissera, não titubeou e nem deixou margem para outras interpretações. Era aquilo mesmo. A mulher de José que, outrora, lhe jurara amores eternos, agora era promíscua. O fura-olho não era desconhecido, era da galera também, e com a cara mais lavada possível sequer pronunciava-se acerca do casal. Não que o instigasse contar abertamente os problemas conjugais de cada um, expondo ao ridículo publicamente alguém conhecido e bem-quisto. Na verdade, o que lhe preocupava era o fato de ser espontâneo e suas opiniões saírem como água, sem um filtro, uma censura. Batata, não deu outra. Reunião de conhecidos na mesa do bar, cerveja aqui, caipirinha acolá e saiu, na lata. Melhor solteiro do que CORNO. Todos ao redor sabiam, mas simularam uma cara de surpresa que quase o convenceu do espanto coletivo. O que é a amizade pós-moderna. Fascinante. O escroto mais uma vez foi Matheus, mesmo não querendo saber, mesmo não se aproveitando da história, e mesmo sendo o cara que por bem ou por mal expôs o problema ao real prejudicado. Mas há quem prefira a tese de que “o que os olhos não veem, o coração não sente”.

Não há amanhã

Não me agrada esse espírito de equipe que rege a presente geração. Não quero pensar no meu próximo, também não exijo que pensem em mim. Sou egoísta e sozinho e não poupo água visando ao bem estar dos meus bisnetos. Seis da matina, um frio caralho e eu tenho que tomar banho quente rápido, para que tenha água em 2300? Ah, me desculpe, mas não. Usar produtos reciclados ou recicláveis de pior qualidade pela satisfação de estar contribuindo para um futuro sustentável no ano de sabe-deus-quando? Também não. Não há sentimento coletivo que me faça privar de certos prazeres da vida em troca de uma incerteza condicional que eu nem sei se existirá um dia. Não posso com isso, é demais. A todo momento nos deparamos com impasses e nos questionamos se fizemos o certo ou o errado, e como se já não bastasse as inúmeras possibilidades reais de risco que assumimos quando escolhemos um determinado lado, ainda temos que pensar em como será o dia em que meu neto vai ser avô. Ah não. Quero viver e aproveitar o planeta que é um só, assim como a minha vida. Não me venha com restrições de conciência social, que o último lutador altruísta morreu de aids. É cruel pensar que estamos sozinhos, mas é ilusão pensar que não estamos. Não há decepção quando não há espera por algum ato alheio. Portanto, não me apego e não confio em ninguém. E não concordo com quem se diz preocupado com o futuro do planeta. Ninguém dos que lerão este texto deixará de respirar porque a amazônia é devastada. Que se foda o macaquinho amarelo do pantanal que vai deixar de existir. Tá com pena leva pra casa. O que se faz com um macaquinho escroto desses? Ninguém tá nem aí se matam esses animais para fazem um campão de plantação de maconha. Animalzinho de cu é rola, e SUIPA é o caralho. Um bando de animal doente e fedorento que na China teriam uma utilidade alimentar muito mais bem aproveitada. UFA! Meu eu-lírico histérico e mal educado se manifestou. Já posso ir reciclar o lixo aqui de casa e apagar a luz do corredor pra evitar o gasto.

Crença vacilante (melhor conceito de dúvida que encontrei no dicionário)

Quando eu estava no início da vida, bem no início, me falaram que ter dúvidas é saudável. O fundamento desta tese era alicerçado numa premissa que, quanto mais se questiona, mais se procura saber, e num silogismo banal, chegaríamos a melhor das conclusões, que seria: quanto mais se procura saber, mais se sabe. Devo dizer que ainda não sou atrevido o bastante para contrariar este provérbio rifão. Me falta atitude e capacidade, por enquanto. Todavia, demonstro aos poucos minha insurgência em face deste adágio que classifico como “consolo” para nós, humanos, limitados. Tenho muitas dúvidas, e apesar de procurar purgá-las, não encontro respostas satisfatórias, ficando na mesma, senão quando não dou um passo atrás e volto à estaca negativa. É bem verdade que já se foi o tempo de questionar a existência de Deus, de onde vim e para onde irei (pelo menos o meu). Mas não me refiro a estas complexas divagações próprias de uma mente perturbada, que invadiria “campus” universitários com intuito de celebrar uma chacina qualquer. Na verdade, estou me referindo a questões infinitamente mais singelas. O “Por que?”, o “Qua?”, o “Que?”, o “Quanto?” jamais me deixaram saciar minha vontade de simplesmente aceitar a existência de qualquer coisa. E digo mais. Não que estas respostas fariam grandes diferenças na minha vida, pelo contrário, na maioria das vezes são perguntas que me faço pelo puro prazer da indagação descomedida. O que me deixa menos insatisfeito é saber que não sou o único a questionar um algo de um todo. Posso exemplificar uma dúvida que tenho, para tornar concreta a situação interrogatória na qual constantemente eu me encontro. Se me fosse perguntado qual seria o mal do século, eu não sei o que responderia. Não de primeira, sem alguns instantes de reflexão. Do homossexualismo à rinite, passariam pela minha massa cinzenta uma penca de mazelas que se fossem utilizadas como resposta jamais me constrangeria, por se tratar de algum absurdo. Por que as pessoas tem gostos musicais diversos? Por que tem times de futebol diversos? Como alguém pode não gostar de futebol? Como alguém pode achar interessante ver BBB? Como alguém pode não achar a Maria Sharapova bonita? Por que se convencionou que pra cima liga e pra baixo desliga? Por que a torneira direita é quente e a esquerda é fria? Por que o mundo não é todo feito de convenções? Por que preferem a teoria à prática? Whatever. São infinitas crenças vacilantes que me fazem correr atrás de sabedoria, e ainda que essas buscas não sejam frutuosas, eu ainda sou incapaz de discordar da idéia de que quanto mais dúvidas se tem, mais sabedoria se tem.

Brincadeira de mau gosto

Tratava-se de uma criatura aparentemente inabalável, que reunia a figura paterna e materna em um só corpo castigado, apesar de belo. Maria era uma mulher forte, e não poderia ser diferente com um nome desses. Fazia jus às alcunhas de brava e guerreira, e tudo de graça, sem pensar em reconhecimento, muito menos em favores que se compensassem. Era uma boa vontade livre que jamais existira, e de acordo com minhas singelas convicções, entendo ser pouco provável que haverá outra igual. Parecia que só sucumbiria aos efeitos naturais da vida, e seu ordinário perecimento. Era só impressão. Havia algo maior que não perdoaria o organismo daquela senhora septuagenária. E quem diria, o causador deste desastre emocional seria a pessoa que mais a queria bem, e a recíproca ultrapassa as barreiras da veracidade. Um ser humano que sequer poderia se entender por gente e ter pleno raciocínio do que faria, com tamanha ousadia, e desdém total. Foi uma brincadeira de mau gosto. Uma ligação anônima noticiando o falecimento de um ente querido, muito querido. Com o tom do saudoso Gil Gomes, do “Aqui e Agora”. Naquela noite, bem como nas três ou quatro madrugadas subseqüentes, a moça forte e valente se esgueirava em prantos infinitos e, outrossim, mal sabia o infeliz criador do trote, que D. Maria encontrava-se em petição de miséria, refugiada no seu quarto, que mais bem definido seria pela palavra “canto”. Observar aquela fortaleza desmoronando foi a cena mais cruel e trágica que um fúfio, apedeuta, sacripantas daquela natureza poderia sentir no âmago de suas obsoletas cretinices. Tamanha frivolidade fez com que um incidente, de autoria digna de um acéfalo, se tornasse um marco da valoração sentimental que se pode estipular entre a aberração infantil, da fase precoce de nossas vidas, e o respeito pela noção, principalmente diante de princípios tão comezinhos de civilidade familiar. Foi um susto, apenas um susto, que serviu de lição. É o que eu espero.

Gestos Modestos

Pequenos gestos fazem toda a diferença. Ai de quem negar essa verdade absoluta. Principalmente, se comentar algo parecido com “guerras são grandes atos e fazem a diferença”, ou qualquer exemplo escroto que o valha. Está atestando sua total incompatibilidade com a dinâmica da vida, sendo ela um complexo de pequenos atos. Não se trata de algo que esteja sob nosso controle, nem que possamos escolher. Já há um movimento preordenado ou não de pequenas “algumas coisas” que se agigantam em função de uma idéia em movimento, para tudo que se possa imaginar. Talvez por isso não saibamos explicar muitas coisas. Tentamos ver o superficial, na ilusão de que a resposta para tudo se encontra no amontoado de consequências sobre as quais fixam-se nossos olhares. Tudo tem um começo. E raras das vezes tal início se dá de forma a chamar nossa atenção por seu tamanho ou intensidade. Embriões costumam ser, de fato, desprezíveis. Mas como prestar atenção em tudo que é pequeno com a perspectiva de que aquilo poderá eventualmente se tornar algo de proporções inimagináveis? Seria humanamente impossível exigir a integração de tudo que acontece ao nosso redor com a verdadeira causa de resultados expressivos que o mundo nos proporciona. Devemos enraizar nossas atitudes, no sentido de torná-las supremas desde o seu nascedouro. Não acho que o contrário seja a banalização dos nossos ascenos irrisórios, principalmente se ponderarmos e entendermos que somos limitados e não podemos prever nada além de um palmo do nosso nariz. O que no meu caso, já é bastante coisa. Ora, se então valorarmos com mais cautela as nuances de uma pequena idéia, poderemos ter um panorama mais influente do que se tornará com o desenvolver da cadeia lógica que está entrelaçada imediatamente com o fato precedente. É a famigerada bola de neve. De repente, os provérbios que tentam dizer isso não são contundentes o bastante para provocar em nosso âmago uma profunda reflexão acerca dos nossos gestos pioneiros. Isso se reflete diretamente na total falta de consequência que geram quando poderiam ser evitadas as primeiras atitudes. Dar o primeiro passo pode não ser o mais importante, mas é de igual relevância cotejado com os demais. Demos todos, portanto, nossos primeiros passos.

Só confio no livro

Não confio no que me dizem. Só no que leio. Estar escrito pra mim é uma verdade que supre qualquer desconfiança barata. Escrever é uma responsabilidade e uma pressão que os fracos não aguentam. Por isso, não tenho dúvidas quanto à veracidade de algum escrito. Exceto os malucos, daqueles que rasgam dinheiro, não vejo como uma pessoa pode atribuir a si uma função que não seja capaz de desempenhá-la, e a troco de nada, pelo simples fato de exercer a milenar arte da escrita. Se eu escrever alguma coisa bêbado, no dia seguinte eu retifico se me convier, ao contrário do que acontece nas mesas de bar onde proferimos expressões destruidoras de lares. Se eu escrever e ficar ruim, eu apago e escrevo novamente. Impossível fazer isso com a fala. Pra escrever eu tenho tempo pra pensar, eu tenho fontes pra procurar,eu tenho momentos de inspiração e fraqueza. Na dicção eu simplesmente me aproveito da prerrogativa de nascer com o dom da fala. Para falar eu posso me valer de sinais e gestos, e não preciso, além de tudo, me preocupar com pontuações, acentos e outras questões gramaticais. Na escrita eu me envolvo em um compromisso que custará a minha reputação, se não sair da forma que eu pretendo. Muito mais difícil, se fazer entender pelo texto, mas quando isso acontece, não tenho dúvidas que a recompensa é maior, é um prazer. O livro sempre é melhor que o filme. O livro sempre é melhor do que a aula. O livro move o país. O livro pode ser lido a qualquer momento, e desde sempre. Imagina como deveria ser a voz de Machado de Assis. O livro é silencioso e não atrapalha quem não gosta da sua leitura. É um instrument conveniente que te torna mais forte. Há quem, igual a mim, prefira malhar o cérebro do que o braço ou o abdome. O livro te traz benefícios que poderão ser usados para sempre. Assim, acho que consigo justificar minha devoção pelo texto, pelo livro, pela escrita e formas de comunicações através de símbolos. Tenho a pretensão de muitos: um dia conseguir me eternizar com algum livro interessante, e poderei, então, ser lembrado daqui a seis, sete gerações. Por enquanto, vou apenas exercitando minha limitada capacidade de escrever neste aconchegante blog.

Nada como uma japonesa de óculos…

Eu podia jurar que não conseguiria ser capaz de trair minha mulher, e olha que me mantive firme nesta crença por muitos anos. Foram bons tempos em que se evocavam princípios basilares de um caráter exemplar. Era a mulher mais perfeita de todas, pelo menos em minha opinião. Era japonesa, usava óculos, bochechuda, com os pés muito bem feitos, vinte e poucos anos, apesar de ser quase fechado, seu olhar era fulminante e instigava minha obsoleta existência monogâmica. Por muitos dias eu me pus a pensar o que me fazia sucumbir a este charme exótico (este foi o adjetivo que meus amigos utilizaram para resumir sua feiúra – nada como ter grandes amigos para te apoiar independente do tamanho e do momento da sua aventura). Cheguei a conclusão de que o desafio que me impulsionava era o simples prazer da traição, banditismo puro. Fiquei, por muitos anos, retraído num mundo melancólico, cuja fidelidade se tornou o ponto nevrálgico da minha agonia. Já não sabia explicar o porquê de trocar a minha esposa de traços primorosos por uma oriental uns oito quilos acima do normal, e a verdade é que, apesar de tentar forçosamente, não consigo até hoje achar a plausibilidade desta conduta adúltera. Isto seria só mais um deslize que cometi durante anos de matrimônio. Talvez o pior, por ter traído não somente a minha parceira afetiva-sexual, mas também por ter deixado me enganar que eu estava imune às tentações das garotas que me circundavam. Ocorre que o pior não foi a traição, e sim a vontade desembestada que me deu de conhecer novas pessoas durante a tarde, e ao calar da noite chegar com o sorriso mais amarelo possível para dar um beijo de “eu te amo” na minha mulher. O que foi um desvio de conduta eventual acabou se tornando um vício. E da japonesa bochechuda até a ruiva australiana, foram muitas que desvirtuaram minha lealdade abstrata. Eu que era uma autoridade respeitada por mim mesmo, já me sentia um filho da puta da pior qualidade. Mas era maior do que eu. Já disse que era um vício. Se não conseguia sentir a felicidade plena fingindo uma fidelidade cretina e medíocre, muito menos, me confortava saber que enquanto uma pessoa me esperava em casa eu fingia reuniões para comer as mais diferentes espécies de mulher que me apareciam bêbada e drogada em qualquer festa. Era uma sensação que passou a me corroer e confundir minha sanidade conjugal. No final das contas, como não poderia ser diferente, cabeças rolaram. Figurativamente, é claro. Aos poucos foi ficando cada vez mais claro meu desinteresse pelo tesão do casamento. Todas as mentiras vieram à tona. O matrimônio terminou e com ele o fetiche pela traição, a vontade de substituir o bom pelo mau sem justificativa razoável.Foi então que me perguntei: Valeu a pena ter feito tudo isso? A resposta é inevitavelmente positiva. Ao contrário do que pode pretender a sociedade, o ser humano é obrigatoriamente poligâmico e carente, e se um dia quiser tentar a sorte, se limitando ao acaso do casamento, terminará de uma forma ou de outra aprisionado em sentimentos negativos. Nosso instinto não nos deixa mentir.

Está tudo acabado, foi o que ela me disse. E eu acho justo que seja assim.

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