Arquivo da categoria ‘Quarta-feira’
Só que pra mim não! Geração multifásica.
A vida até pode parecer o que não é, só que pra mim não.
O palhaço até contorce seu nariz quando não agrada a sua platéia, porém não pra mim.
O sábio até finge que sabe quando a sabedoria lhe sabota, mesmo assim seus olhos entregam.
Talvez até o mestre dos espertos tente me enganar em mais uma de suas lorotas, no entanto eu capto sua dissimulação em frações de segundos-luz.
Pode até ser que sua cara de inocente me comova, mas me enganar, jamais.
Nenhuma camuflagem passa por mim despercebida.
Quem sabe eu até te faça pensar que acredito no que me diz, só que meus olhos de águia trabalham com meus ouvidos de morcego.
E juntos ensinam minha mente infantil que nada nem ninguém, por mais perspicaz e profissional que pareça, passará impune ao meu radar penta volt.
De 5 sentidos aguçados e capacidade ilimitada.
Pare de buscar
Finalmente consegui encontrá-los.
Ou seriam eles que teriam me encontrado?!
E, de repente, vi-me feliz.
Algo irradiante, e ao mesmo tempo enérgico e energizante, tomou conta de mim,
Se apossou de todo o meu ser.
E fiquei feliz!
Não porque algo de extraordinário tivesse acontecido na minha, muitas vezes, rotineira, vida,
Mas fiquei feliz porque me descobri viva!
E isso me bastou!
Nada melhor do que estar viva para que, então, possa alcançar todos aqueles “nobres sentimentos”, que tanto ouvimos falar nos contos de fadas.
Passamos, gastamos tempo em busca de coisas grandiosas, sentimentos escaldantes, que, de tão preocupados que estamos em achá-los, acabamos por perdê-los.
Essa tal mania de grandeza do ser – humano que o faz esquecer, apesar de estar careca de saber, que as grandes coisas se materializam nas “pequenas”.
No sorriso.
No abraço.
Na flor.
No gesto singelo.
No olhar afetuoso.
Na palavra de esperança.
Na conchinha.
No beijo estalado.
Nas coisas belas da vida, que, muitas vezes, passam despercebidas na correria, pelos olhos ávidos de grandeza.
E o 11º mandamento dizia: Não prejudicai o próximo em seu bel prazer ou interesse
Se tua pólvora não queimasse uma vida; tua ambição não esvaziasse um estômago; tua falta de educação não poluísse o chão e o ar; a falsa crença não se aproveitasse da ignorância e carência alheias para fazer seu ‘pé de meia’; o país não fosse feito de analfabetos funcionais e miseráveis; tua esperteza não dobrasse a minha carga horária de trabalho…
Aí então, não me importaria com o baseado “inocente” que você fuma; os milhares de dólares que guardas na cueca; com o lixo que joga nas ruas e o combustível queimado; a religião hipócrita que propagas aos quatro ventos; com o desvio de verbas da educação e saúde diretamente para os cofres na Suíça; não me importaria com o “jeitinho malandro de ser” que você leva a vida.
Mas, infelizmente, é problema meu SIM! Sou obrigada a viver (e conviver) com você, dividir ar, chão, teto, cultura e política, mesmo você não tendo NOÇÃO do que significa “senso de coletividade”, não entendendo que o ser – humano é um animal, sim, mas um animal com polegares e um cérebro altamente desenvolvido, que, normalmente, se contenta em ficar atrofiado em 5% do seu potencial, graças a você… Aí sim, ANIMAL IRRACIONAL!
Desiludido na esperança
Meu coração se apossou da desilusão
Desiludido, permanece ativo
À procura do amor – fervor
Mas teme ser dilacerado
Desprezado e esquecido
Como outrora
Ou seria, outroras?!
Coração carente
Guardando todo o seu amor
Pronto para explodir
Já apaixonado
Antes do nascer da paixão
Esperando um outro coraçãozinho perdido
Nesse caos
Chamado mundo
Chamado vida
Chamado normalidade
E, então, poderá viver flutuante
Apenas dos sentidos
Somente na alegria
Na inocência de um amor verdadeiro
Carpe diem do amor
Sem melhor estar.
Sinto muito (homenagem às vítimas do voo Air France 447)
Sinto muito por vocês que se foram, sem nem terem pedido.
E por vocês que ficaram, sem saber o que pensar.
Faltam-me palavras que lhe façam sentido.
Sei que nada que escutares fará essa tristeza passar.
É triste te ter ontem e hoje saber que nunca mais o verei.
É triste não! É terrível, é trágico, é amedrontador.
Diga, agora, como ficarei
Se, nisso tudo, só o que sinto é a dor?!
Não sei o que lhe dizer.
Nem o que fazer.
Quando chegaste pra mim,
Já anunciastes teu fim.
No princípio de tudo, onde o nada passou a ser minha rotina.
O que fazer se seus beijos não mais farão parte da minha sina?!
Eu não pedi pra nascer.
E você não pediu pra morrer.
Tudo que vivemos ficará guardado
No lado esquerdo do peito destroçado.
Com essa faca de gume afiado.
Rompeste a esperança que tinha no ar de te ver ao meu lado.
FREEDOM (ou adaptação de “Demorei muito pra te encontrar”)
Demorei muito pra me libertar
Agora eu quero só viver!
Sem repressão, sem medo de ser!
O importante é ser feliz!
Como demorei para enxergar
Que a pessoa mais importante sou eu!
É o meu corpo, minha mente, meu ser!
Ninguém tem que me prender!
Ser o que sou sem medo de ser.
Reprimida por você!
Não entendia porquê sentia assim.
Liberdade existe, sim!
Nem venha me amarrar
Porque nunca mais vou suportar.
Me anular e me desrespeitar.
Essa Paula não dá mais.
Sem economia de emoção.
Sem medo do prazer.
Vou abrir o meu coração
Pra todos que quiserem ver.
Não quero rótulos,
Não quero leis.
A minha lei é ser feliz!
Então nem venha me reprimir
Que dessa vez não vou permitir!
Demorou para a coragem vir
Mas agora ela vai ficar!
Não vou ignorar os meus pensamentos,
Meus desejos,
Meus pressentimentos…
Uma nova pessoa ressurgindo
Após do inferno sair.
Não tenho que me justificar
Não sou robô
Nem sou você!
Vida a um
Sou só eu
Minha caneta
A folha
E minha mente.
Nós todos somos um.
A solidão.
Que não é meu cigarro
Mas é meu ar.
Por vezes, rarefeito,
Se o coração acelera,
Se as mãos suam
Ou o corpo se arrepia.
Então encontro seu ar.
E fazemos de nossa solidão particular
Um encontro
De corpos e almas.
E suor
E desejo
E mãos
E saliva
E boca
E pescoço
E gozo.
E, por um momento, esqueço que estou só.
Nasci só.
Vivo só.
E morrerei só.
Mas enquanto esse ciclo não se finda
Vago pelas ruas
À procura de uma outra
Solitária alma.
E só.

Uma acumulação de pequenos grandes momentos

Não há, no mundo, momento mais importante do que esse, agora.
Passou.
Viver no futuro e esquecer o momento.
Perde-se, não volta mais.
E perdeu foi vida.
Porque a vida tá aqui,
Em todo, e, especialmente, cada momento transpirando emoções.
Emoções únicas.
Cada momento é único.
Carpe Diem não é coisa dos vadios.
É privilégio dos sábios.
De um ser vivo, consciente da efemeridade de sua existência.
Que procura absorver dela os momentos.
Assim, vive,
E não, somente, existe!
Canudos
Guerra feia
Guerra burra
Guerra estúpida.
Guerra quente
Guerra do ódio
Odiosa guerra.
Matar para viver
Viver para matar
Pra morrer.
Derramar seu sangue
Sangue de seu filho
Ou de seu amigo.
O que é isso? -1 vivo +1 morto -1 vivo +1 morto…
Deus há de salvar
Sua alma no céu.
E será que há salvação
Pra este monte de carne podre?!
Moinho de mortos.
Feridos
Fedidos
Fudidos
Quantos + poderão vir? +1, 10, 20, 30, 500, 500 mil? 3 milhões? Todos?
Fome
Sujeira
Suor e
Sede.
Abençoai minha alma
Porque meu corpo alcançou o limite.
Insensatez
Afaste-se da cabeça dos homens.
Estes, que arrancam-lhes as cabeças na vitória.
Ó glória
Ó mérito
Vencemos!
Matamos
E morremos
Cada vez que o estouro dispara.
Uma bala. Uma pessoa.
Uma desgraça. Uma família.
Perdoai-me, senhor, pela ingnorância e instinto animal que me possuíram.
E, para que lutávamos mesmo?!
Detalhe…
Para agora e na hora que vierem os mortos...
Amém!

No fundo da sua alma
Se eu me esforço um pouco, minha sensibilidade aguça e posso enxergar dentro de você, dele ou de qualquer um que passe pela minha vista. Olho no fundo dos seus olhos e vejo tudo o que está sentindo. Posso até arriscar o que está pensando.
Junto aos seus olhos, todo o conjunto te entrega: sua boca, suas expressões, suas rugas e seus gestos, a posição do seu corpo. Sua relação interior com o mundo exterior. 2 mundos. 2 diferentes mundos em constante convivência, muitas vezes, desarmônica.
No fundo da sua alma, eu posso ver uma bela menininha num belo dia de sol, alegre e saltitante, uma menina cheia de sonhos, cheia de amor e alegria, cheia de espontaneidade. Uma menina pura, inocente e inexperiente.
Seus olhos brilham como o sol daquela manhã. São tão esplêndidos e ternos quanto a luz que aquecia os corações gelados.
De repente, seu olhar cai, e vejo que aquela pequena menina cresceu, ela agora tem peito, bunda e um jeito de Lolita. Sinto a sensualidade no ar, sinto o cheiro de sexo transpirando em cada passo seu.
Ela só pensa NAQUILO. Também pudera! Seus hormônios estão à flor da pele, sua respiração constantemente ofegante, mal pode se conter. Vejo tua boca me chamar.
Mas quando fixo um pouco além meu olhar, parece que uma sombra me cobre por inteiro. Fico cega, sem sentidos e sem rumo. O que aconteceu? Quem fechou as cortinas? Não enxergo nada, tudo o que vejo é escuridão. Tudo o que sinto é solidão. Tudo o que vejo me apavora.
Também pudera. Só vejo nada. Meus olhos me iludiram, levaram minhas esperanças, meus sonhos, minhas alegrias, meu gozo. O que sobrou de mim?
Devolvam-me, olhos traíras, o que a mim pertence! Não pense em me negar. Não lubridie a minha inteligência. Os olhos a mim pertencem. Com eles faço o que bem entender!
Posso ver as rugas aumentando. Aquelas velhas rugas. Fruto da preocupação, do medo, do desespero, da infelicidade. Aquela bela menina virou uma velha rancorosa.
Não deixe que os seus olhos fechem de vez.
Sinapse do Amor

(Ao som da cachoeira, nenhum outro referencial)
Meu amor é puro e inteiro
Sem truques ou destreza
Ele corre pelo meu sangue
Bombeado do coração
Para todo o corpo
E por isso,
Tudo em mim
Reflete você
Meus órgãos
Meus sentidos
Meus movimentos
Cada sinapse
É feita de você
Para você
Porque não há outro caminho
É o destino da minha existência.
Reflexões na calada da noite.
E essa angústia que me corta a garganta há de me consumir até que saia vomitada na cara de quem quer que seja. Um nó por tudo que não foi dito, por tudo sonhado que não foi realizado, por tudo que não passou de uma ilusão ou por tudo que ainda está para ser.
O rock expurga tudo aquilo em mim que fica retido, raivosamente retido nesse cotidiano de falsas morais, aparências e hipocrisia. O rock é o meu eu – autêntico, o meu eu – destemido, o meu eu – ousado.
Se feliz ou triste, sei que assim sou, e insisto em viver nessa tragicomédia chamada `livro da vida`, que tantas vezes me dói, mas muitas outras me arranca sorrisos das mais escandalosas óperas.
Rebelde de nascença. Não tente segurar uma alma livre, a rebeldia está no sangue e não na cara. Não se engane, meu caro. As aparências enganam. Muitas vezes é preciso chocar para ser ouvido, para ser visto, para ser COMPREENDIDO. Abra os olhos. O ser humano necessita de aprovação, de compreensão, necessita ser visto. Veja.
E se escrevo é porque necessito mostrar em palavras o que pulsa no peito, o que não me é concedido dizer em voz. Culpa da timidez. Culpa do medo. Culpa minha, só minha. E para reverter minha culpa, rabisco folhas e folhas em branco, até que não sobre um só espaço sem um risco de sentimento.
Minha liberdade é meu bem mais precioso, é ela quem me diz o que fazer com meu corpo, que me permite tudo, que me faz ser eu. Se encurralada a sinto, sou como um pássaro que teve suas asas cortadas. É preciso voar por aí. Jogue-se.
Em corpo de mulher, essas teclas que por anos tocaram a sinfonia da minha vida. Inevitável. Impossível não amá-las, não tê – las como parte de meu corpo. A mulher que tocada suave e firmemente se transforma num belo movimento de tantas sinfonias…
Deixe-me aqui só, quieta no meu canto. Hoje não quero falar. Nua, linda, sendo eu, numa tempestade de beleza e tristeza.
Toda aberta para ti. De corpo e alma, e coração na mão. Da minha maior abertura, nasce meu maior medo. Danço nua para ser livre. Que meus pés alcancem o infinito do céu. Um beijo na perna para provar que era ela.
Essa louca trança de sentimentos e amor. São tantas as melodias que inspiram a minha alma. Da minha boca sai a música que colore os meus passos. Misturam-se cores, amor, notas e viagens. Toque aquela música que beija o meu corpo, mas me deixe livre pra voar, preciso de cores, som e ar.
Meu estado natural de ser… Meu eu-interior; meu eu-lírico; meu eu-sátiro; meu eu-alter ego. Loucura? Loucura é aceitar a ‘normalidade’; loucura é viver sem aventura; loucura é ser previsível; loucura é não usar o coração; loucura é aceitar o ‘estado natural das coisas’; loucura é não se indignar ao ver uma criança na rua; loucura é cooptar com a pobreza, com a miséria, com a maldade, com a doença; loucura é ver o errado e nada fazer; loucura é não ter ambição em melhorar; loucura é viver no tédio; loucura é viver sozinho; loucura é não se amar, é não amar ao próximo; loucura é não ter caráter; loucura é praticar a corrupção cotidianamente; loucura é jogar lixo na rua; loucura é molestar crianças; loucura é maltratar idosos; loucura é se achar no direito de restringir a liberdade de outro ser humano; loucura é a cadeia brasileira; loucura é encher a cara e atropelar pedestre; loucura é poluir o meio-ambiente; loucura é ser infeliz. Isso pra mim é loucura… O resto é escolha, é seu, é único, e por isso, belo.
Ensaiando a cegueira da alma
Todos os dias ensaiamos a nossa cegueira.
A cada vez que um clarão toma conta da vista e não vemos.
Não vemos a pobreza, a miséria, não vemos a fome, o abandono e nem a doença.
E, quando na escuridão, nos damos conta de que, agora, o olfato começa a falhar.
Não sentimos mais nada.
Não sentimos o fedor da tristeza, não sentimos dó, nem sequer sentimos a poeira que entra por nossos pulmões.
E como é de se esperar numa falência múltipla, começamos a perder, agora, a audição.
E não mais ouvimos os gritos de desespero, os choros infantis não mais chegam aos ouvidos.
Agora, abafados, tampados, surdos.
Não mais o gosto amargo da morte afeta nosso paladar, porque ele, como os outros sentidos, não existe mais.
Não sentimos o gosto de sangue na boca.
Comemos frutas estragadas porque tanto faz.
Não vemos o estrago, não sentimos o gosto ruim e nem sentimos a textura podre, porque o tato não mais nos pertence.
Tocamos na ferida e nada sentimos, então, continuamos a empurrá-la até que se estourem todas as bolhas de sangue.
Mas pouco nos importa, não vemos o sofredor, muito menos escutamos seus gritos de agonia.
Nada mais nos toca.
Nada mais toca nossa alma, que perdeu todos os sentidos.
Perdeu sua forma.
Perdeu-se no inferno astral.
E lá ficou presa.
Para sempre.
Protegida pelos muros que ela mesma construiu.
Intocáveis.
Antes mal acompanhado de dor, do que só de amor.

Entre a razão e a emoção.
Não tem perdão,
Eu sei.
Porque por mais benevolente que possa ser a razão,
O coração não pensa.
Ele só sente.
E ele sente o que ele é estimulado a sentir.
Se ele é ferido, ele simplesmente sangra.
Independente da razão.
Porque ele não tem olhos,
Não tem boca,
Nem ouvidos.
Ele não tem olfato,
E nem tato.
Mas ele sente.
Ele somente sente!
E sentir dói!
Sempre dói!
Uma hora, doerá…
E por mais que a razão queira perdoar
(e insista nisso),
O coração só sente
(e não quer dialogar com a razão)!
Ele sangra se sente dor
E aquece se sente amor!
Sabe-se lá porquê,
Depois de um dia quente,
Formam-se bolhas de amor.
E bolhas sempre estouram!
Se não sozinhas, com a ajuda de alguém!
E depois que se abrem,
As bolhas sangram e dóem.
Ardem, pinicam e incomodam.
E, então…
Um longo período gelado as adormece, fechando-as.
Porém, elas se eternizam marcadas.
Como uma tatuagem.
Na superfície de um órgão tão frágil,
Tão sensível.
E, paradoxalmente, tão mal-tratado!
E depois querem nos convencer de que o homem não gosta de sofrer.
A dor está no homem.
O homem nasceu com a dor.
E viver sem ela seria como assumir-se só.
E sozinho ninguém quer ficar.
Então, carrega tua dor de estimação
No lado mais vazio do peito.
E quando a solidão bater,
Cultive-a.
Ao menos, só não estarás.
Confesso: eu pequei!

Abracei-me em minha cama e de lá só sai quando expulsa por Morpheus.
Bom dia, Belphegor!
O sol na janela iluminava o meu quarto, e quando me deparei com o reflexo, não foi narciso que vi.
Num salto assustado, peguei minha carteira, mas no caminho da salvação, encontrei aquela velha rameira!
Maldita desocupada! Só sol, ferro e mar!
Praguejei e segui.
Salve Leviatã!
Agora, volto a sorrir: pele de uma índia, cabelos de uma japonesa e colorido de uma americana!
Moça globalizada!
Um abraço para Lucifer!
Nas ruas, indigentes no papelão manchavam minha presença esbelta.
Guardo o dinheiro, viro a cara e sigo com Olhos Cegos de um gigante.
Bem-vindo, Mammon!
Mas que bela notícia!
Pizza e coca-cola.
Encho minha pança (e a deles também).
E faço uma oração à Belzebu!
Nada poderia estragar minha alegria!
Não fosse esse caos nas ruas.
PQP-um gesto, um palavrão e Satã!
Mas nada me abala (por muito tempo…)!
Champagne, lingerie e massagem.
E me deleito nos braços de Asmodeus!
Terá essa alma salvação?!
Difícil…
Amém!
No more fears

A bela e a beleza dela num luar tão nobre e fulgaz, iluminada a sua áurea, libertai tua alma.
Eu não temo.
Eu não temo a falta de beleza exterior.
Porque a minha beleza interior é maior.
É maior do que qualquer par de olhos azuis, lábios carnudos e corpo perfeito.
Ela, sim, é uma beleza real.
Naturalmente bela.
Não precisa se enfeitar.
Ela simplesmente é.
E essa beleza
Invisível aos olhos nus
Tem suas formas e trejeitos de se mostrar.
E sempre que ela vem
Não tem pra ninguém.
Ela acaba com qualquer beleza meia-tijela
Qualquer beleza padrão comprada…
Beleza silicone, beleza bisturi, beleza bronzeamento, beleza plastificada.
Que não sabe que, no fundo, não conhece o significado real da beleza.
Beleza na superfície, você compra na drogaria.
Beleza real você deixa brotar.
E quando isso ocorre, é como uma tempestade avassaladora.
Abala qualquer pilar feito de areia.
Nem tente comparar.
Gaste o tempo na sua procura.
E um dia poderá esquecer dessa beleza fordista idealizada pelos outdoors e pelas meninas que assistem aos comerciais de cerveja.
Não se deixe levar.
Quem bebe cerveja a rodo, não tem barriga tanquinho nem bunda lisinha.
Acorda e vai buscar tua beleza.
Tua real beleza.
É tempo de deixá-la.
Esse eterno karma que lhe persegue.
Deixe-o.
E sinta-se livre para ser bela.
Bela acordada.
Adormece tua máscara.
“Amanhã tudo volta ao normal”.
E a Cinderela virará abóbora.
Teu príncipe, um sapo-verde.
Saberás, então, enxergar tua beleza por detrás desta corcunda de Notre Dame?
Ao menos, tente, bela princesa!!
O que é, o que é?
Não custa nada, só faz bem, é de graça, não tem porquê economizar.
Não gasta, não envelhece e nem suja.
Quanto mais se dá, mais se tem.
E não é preciso muito esforço para tê-lo.
Basta dar, que ele volta.
Basta se abrir para ele, que ele vem até você.
Ele não é ingrato, ele não é mesquinho, ele não economiza.
Chega de migalhas!
Ele vem quentinho e recheado.
Ele é gostoso e faz bem.
Ele é bom, ele quer o bem.
Ele é puro, ele não necessita de nada.
Só dele mesmo.
Ele é auto-suficiente.
Ele não precisa de justificativa, nem de razão.
Ele é.
Pura e simplesmente.
E essa é a graça toda.
Ele ser de graça.
Não pede troco nem promissória.
Ele é inteiro e completo.
Tudo que ele precisa é de um espaço.
De um peito aberto.
De uma chance para acontecer.
Ele só precisa das portas abertas.
E mais nada.
Ele… É o amor!
Onde eu estava com a cabeça?!
Quando resolvi ir para a faculdade, em plena segunda-feira?!
Quando achei melhor assistir aula à noite na terça-feira?!
Quando enchi a cara, numa habitual quarta-feira?!
Quando, quinta, não reservei tempo nem para respirar?!
Quando, sexta, fiquei em casa vendo TV?!
Onde estava com a cabeça no fim de semana, que quando pisquei os olhos, já era segunda de novo?!
Onde estava com a cabeça quando nasci, quando minha mãe me concebeu e me deixou estar aqui, viva, perdendo a cabeça por esses dias?!
Como consigo fazer com que minha cabeça se perca tanto se ela está no mesmo lugar em que sempre esteve?!
Como o fixo pode ser instável?!
Eu não sei.
Não sei nem o que estou escrevendo.
Pra falar a verdade, pouca coisa sei.
E isso me deixa desesperada.
Então, eu perco a cabeça para ver se, um dia, alguém irá achá-la.
Numa folha, num movimento, num texto, ou, simplesmente, numa esquina de bar qualquer.
Eu queria ser um pássaro.
Porque, assim, minha cabeça voaria por onde ela quisesse.
Com as próprias asas.
Mas nasci humana, então tenho que, diariamente, conviver com essa frustração de querer voar, mas não conseguir levantar vôo.
De ter pernas no lugar de asas.
De querer achar uma cabeça que nunca se perdeu.
Ser humano, tão inteligente, mas tão burro.
Ser paradoxal.
Começa no princípio da vida.
Que besteira de geração!
Que besteira de tradição!
Que besteira de genética!
Pra que gerar uma vida que morre a cada instante?!
Quanto mais vida, menos vida.
Passa hora, passa dia.
E o que fazemos?
Pra que (m) fazemos?
Que vida é essa em que não se pode, nem ao menos, ser quem é , fazer o que se quer, nesse lapso de vida que ainda nos resta?!
Agora, menos ainda…
E ainda menos…
Acabou.
Passou.
Viver.
Morrer.
Sempre paradoxo.
Sempre contraditório.
Sempre opostos.
Nunca sempre.
Fico muda, calada.
Quero falar, não consigo.
Quero dançar, não tem palco.
Quero cantar, não tem microfone.
Quero amar, não tenho coragem.
Esse silêncio todo me angustia, me leva à loucura, me revolta.
Me dá uma vontade de sair gritando, de falar nesse silencioso ônibus.
Ouço todos os dias o que sonho, mas a estrada que pego me leva para o caminho da razão, e não da emoção.
Eu gosto dos dois.
Pra mim, os dois são essenciais, imprescindíveis e insubstituíveis.
Completam-se, necessitam um do outro, se ajudam.
Mas minhas veias pedem coração.
Minhas artérias pulsam no ritmo do estímulo carnal.
Sou mais emoção do que razão.
Necessito ser.
Mesmo se escondo, não sai daqui.
Vive aqui.
Bate aqui.
E morre aqui.
É tudo tão simples, mas tão complexo.
Na prática, a teoria é outra.
No fundo, é tudo muito claro.
Para o subconsciente, tudo é cabal.
Mas a consciência quer sempre mascarar, quer sempre confundir, distorcer essa realidade tão bem traçada, que vive dentro de cada ser.
Humano, ou não.
Pra que ser humano e matar a si mesmo?
Na guerra, na escola, no trabalho ou na vida, mata e morre
SEMPRE – que se reprime.
- Que se faz acreditar numa mentira.
- Que se deixa de dar amor.
- Que se cobra perfeição.
- Que se chateia.
- Que se quer mais do que se consegue ter.
- Que se insatisfaz.
- Que não se contenta.
- Que se humilha.
- Que se inferioriza.
- Que se acha melhor.
- Que tem certeza que é melhor.
- Que tem certeza.
- Que tem, e não é.
- Que sempre.
- Sempre.
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